Exposição convida o público a experimentar o universo da escultura carnavalesca para além do desfile, revelando seus bastidores como espaço de invenção, conhecimento e arte

Rio de Janeiro – De 7 de maio a 20 de junho, a artista escultora Marina Vergara desenvolve no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro (CCCRJ) uma investigação sobre a escultura carnavalesca como linguagem artística situada entre a efemeridade do rito festivo e sua permanência como memória material. Tradicionalmente concebida para o instante do desfile no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, parte dessa produção é aqui deslocada para o espaço expositivo, onde seus fragmentos são rearticulados como dispositivos de ressignificação.  A entrada é gratuita e a classificação é livre. O CCCRJ está localizado na Rua Visconde de Itaboraí, 20, no Centro da cidade do Rio de Janeiro.

A partir da recombinação de restos e vestígios de alegorias, a artista tensiona categorias como obra, autoria e permanência, evidenciando a dimensão processual e coletiva do fazer escultórico nos barracões das escolas de samba. Nesse contexto, a materialidade — marcada por camadas de tempo, uso e transformação — opera como campo de inscrição de memórias e saberes técnicos. Ao articular produção carnavalesca e arte contemporânea, o trabalho de Vergara problematiza as fronteiras entre cultura popular e institucional, propondo uma leitura da escultura carnavalesca como prática estética complexa, atravessada por dimensões sociais, simbólicas e políticas.

Assim, sua poética se configura como uma epistemologia do fazer, na qual a artesania do gesto se apresenta não apenas como procedimento técnico, mas como linguagem. Ao reinscrever esses fragmentos no espaço expositivo, a artista ativa um processo contínuo de reinvenção, no qual a obra se constitui como memória em movimento e o fazer artístico como prática de resistência ao apagamento.

A exposição “Escultura Carnavalesca: a Poética das Mãos” ocupará a Galeria II do Térreo e a Praça Correios, articulando espaço interno e área externa em uma mesma composição escultórica. A mostra apresenta três instalações que percorrem os caminhos trilhados pela artista na construção de uma obra, do gesto inicial à apoteose, inspiradas no universo dos barracões das escolas de samba do Rio de Janeiro.

Ao evidenciar a articulação entre técnica, tecnologia, ciência e arte, a proposta destaca a transformação da matéria e a potência criativa inscrita na memória cultural do Carnaval. Cada instalação revela etapas do processo escultórico carnavalesco, trazendo à tona saberes técnicos, soluções construtivas e experimentações formais características desse fazer coletivo. Ao deslocar essas práticas para o espaço expositivo, a mostra reconhece os barracões como territórios de invenção e produção de conhecimento.

A exposição também propõe uma reflexão sobre o reuso de materiais descartados após os desfiles, ressignificando resíduos como linguagem estética e gesto político. O reaproveitamento surge, assim, não apenas como estratégia sustentável, mas também como afirmação poética da capacidade de recriar e perpetuar memórias. O público é convidado a mergulhar em uma experiência sensorial e processual, entre bastidor e espetáculo, matéria e imaginação, revelando o Carnaval como campo expandido da arte contemporânea. A trajetória de Vergara, com mais de 25 anos de atuação no carnaval carioca, fundamenta a pesquisa apresentada.

Marina Vergara – A artista desenvolveu sua prática diretamente nos barracões das escolas de samba do Rio de Janeiro, onde aprendeu técnicas escultóricas e elaborou um método próprio de construção em isopor, consolidando uma linguagem autoral baseada no reuso e na transformação da matéria. Doutoranda em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (HCTE/UFRJ), com formação em Escultura também pela UFRJ e Licenciatura em Educação Artística pelo Instituto Metodista Bennett, Vergara articula em sua produção artística, docência e pesquisa questões ligadas aos processos de criação, materialidade e produção de conhecimento nas artes. Sua atuação inclui experiência como professora universitária, participação em exposições no Brasil e no exterior e uma trajetória contínua no desenvolvimento de esculturas para o Carnaval desde os anos 2000, além de atuação como carnavalesca.

Serviço

Exposição: “Escultura Carnavalesca: a Poética das Mãos”
Artista: Marina Vergara
Abertura: 6 de maio (quarta-feira), das 16h às 20h
Visitação: de 7 de maio a 20 de junho de 2026
Local: Centro Cultural Correios Rio de Janeiro
Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro – Rio de Janeiro/RJ
Horários: terça-feira a sábado, das 12h às 19h
Entrada: gratuita
Classificação: livre